Olá, leitor anônimo de sexo masculino
Sim, me sinto bastante feliz como sou. Você diz que as coisas que escrevo não são sensuais, mas permita-me lembrá-lo de que isso é uma questão de ponto de vista. Tem muita mulher que tem uma opinião bem diferente da sua, e esse tumblr, além de instrumento de luta contra o Patriarcado, funciona também como um verdadeiro chick magnet. Minhas reflexões feministas são percebidas por muitas como de um charme irresistível, e pela sua fala acredito ser sensato inferir que eu como muito mais boceta que você. E posso dizer que, se elas te “espantam”, estão fazendo belamente o trabalho delas, pois você claramente não é o público-alvo desse veículo de propagação da mensagem feminista.
Passar bem.
September 2011
19 posts
Claro que você não causa transtorno nenhum, escreva sempre que quiser!
Olá contrasteraquel,
Xi, “continuando” o quê? Essa é a primeira mensagem sua para o Manifesto de Lisístrata, será que alguma se perdeu pelo caminho?
Bom, respondendo a você, eu nunca concordaria com a violência contra a mulher, que é uma coisa abominável e gravíssima, nunca se justifica e deve ser combatida sempre. E exatamente porque ela deve ser combatida em todas as instâncias que eu acredito que certas meninas devem abrir os olhos para as artimanhas do Patriarcado e não fazer a mulher-objeto, passivona, vulnerável, piriguete, odalisca, gostosa do facebook, signatária do padrão de beleza artificial, inimiga dos livros de história, ou seja, não facilitar em nada pro machismo nessa guerra que se chama ~realidade da mulher~
Devemos ficar espertas para identificarmos se o nosso desejo é de fato o nosso ou se é imposto através do discurso cotidiano e massificado da mídia. Muitas mulheres internalizam o establishment até que se perdem de si mesmas, tornando-se um objeto treinado para cumprir ingenuamente as ordens de uma sociedade feminicida que esmaga a mulher através de um sistema opressor que supostamente “compensa” as que se deixam seduzir pelo jogo do Patriarcado.
Meu primeiro comentário anônimo, que bonitinho! Você é tímida mas é esperta: “odeie o pecado e não o pecador” (no caso, as pecadoras desencaminhadas) é um jeito muito apropriado de resumir. Afinal, homens e mulheres podem viver em paz e livres da carniçaria indigna do patriarcado, é só saber como escapar dele. E é pra isso que nós, a militância anti-objetificação, existimos! Volte sempre, companheira :)
Não é bem assim, prezada girsl. Eu prefiro chamar minha postura de slut-correcting, porque não sou contra as mulheres-objeto em si, mas sou contra a objetificação e acredito que nenhuma mulher se colocaria numa posição ridícula e inferior sem ser coagida ou enganada (por um ou mais homens, pela cultura, pelas engrenagens capitalistas…).
Existem muitos tipos de feminismo, inclusive uma vertente mais moderninha de pós-feminismo que tenta ressignificar a objetificação. Eu respeito, claro, mas não me convence, sabe? Depois que eu percebi alguns mecanismos do patriarcado, não consigo mais me abster ou aceitar. Não acredito que a objetificação possa ser ressignificada, mesmo porque a própria ideia de se dar ao luxo de “ressignificar” a objetificação parece ser coisa de criança com fósforos. Com a objetificação não se brinca, é assunto sério, certas piadinhas não devem nunca ser aceitas. Tem gente que é privilegiada e precisa tomar cuidado pra não esquecer que nem todas levam o mesmo vidão. Mas isso é pra mim, eu jamais tentaria impor meu ponto de vista a outras pessoas. Existem várias correntes de feminismo e eu respeito todas, sem exceção.